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segunda-feira 18 dezembro 2017
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A importância da natação no Triathlon

Por que tantos atletas evitam a natação em suas preparações para provas ?

É muito comum ouvir atletas comentando sobre as dificuldades que enfrentam na natação, e este sentimento é comum em diferentes categorias, gêneros e níveis de competidores, mas por que tantos atletas sentem que o ponto onde mais se tem a melhorar é a natação ?

Uma parcela da “culpa” se deve ao fato de que humanos serem animais terrestres, não híbridos ou aquáticos, institintivamente nos sentimos ameaçados pela água.

Podemos dizer que o homem se iguala ou até supera muito dos animais em questão de velocidade e resistência, por exemplo o Usain Bolt que nos 100m rasos atinge a velocidade de 45kmh e supera a maioria dos animais terrestres em velocidade, ou no quesito distância o homem é um dos únicos animais capazes de percorrer longas distâncias em curtos espaços de tempo. Mesmo no ar, um paraquedista é capaz de atingir os mesmos 300km/h que um falcão atinge ao “mergulhar em queda livre”, porém quando falamos em água o assunto é totalmente diferente, os melhores nadadores de águas abertas não ultrapassam os 10kmh na água, enquanto os animais aquáticos nadam muito mais rápido do que isso

Contudo para nossos fins recreativos e também de competição, ainda conseguímos nos virar bem dentro do que julgamos seguro, porém a sensação do seguro é muito relativa e diferentes competidores podem encarar as situações de diferentes maneiras.

Atletas que aprenderam a nadar desde pequenos ou tem um contato maior com águas abertas, claramente encararão a água com mais naturalidade. Por outro lado, atletas que aprenderam a nadar mais velhos ou não tem um contato frequente com a água são os mais afetados pela falta de confiança nesta hora. Para ambos os casos, é importante ter calma na hora de cair na água para enfrentar o desafio.

A outra parcela da “culpa” pela dificuldade em realizar a natação de um 70.3 ou Ironman está realmente nas mãos dos atletas e treinadores.

Sempre há o argumento de que a natação representa uma parcela de tempo muito menor do que as demais modalidades, e por isso o foco é total na Bike/Corrida, mas uma outra resposta pronta para este argumento é que de fato você pode não ganhar uma prova por causa da natação, mas pode perdê-la na água.

 

Isso ocorre pois treinar para o triathlon não é simplesmente praticar 3 modalidades diferentes e na hora da prova juntar tudo. Principalmente em provas mais longas como um 70.3 ou um Ironman o atleta tem que saber dosar a quantidade de energia ao longo do trajeto, e mais importante do que a parte física, é necessário manter o psicológico forte durante toda a prova também.

O cenário que mais acontece em diversas assessorias são macros padronizadas para todos os atletas que farão a mesma prova, independente se o atleta tem facilidade em uma modalidade ou extrema dificuldade em outra. Ao receber esta macro sempre são comentados os volumes de pedal, as transições com corridas de 25km após o ciclismo, mas raramente tem uma prova de natação no mar, um treino em águas abertas, as vezes alguns simulados com foco em bike/corrida (claro), e um pouquinho de natação antes.

Quais são as consequências destas preparações ?

1- O atleta não terá confiança na água, e qualquer marola será um tsunami aos olhos do competidor.

2- A navegação será ruim e certamente a metragem percorrida será maior do que a dos nadadores com mais experiência. Se houver correnteza, será ainda pior.

3- Se a prova não permitir Wetsuit a dinâmica da natação será afetada pela falta de flutuabilidade, se no momento da largada for proibido o Wetsuit, a confiança do atleta é afetada, e se for permitido usar o Wetsuit, as mangas vão atrapalhar. Enfim, sempre vai ter um problema com ou sem wetsuit, já que o atleta deixa ele guardado no armário 360 dias no ano.

 

4- A largada e contorno de boia são momentos de grande agitação e concentração de atletas, o contato físico é frequente e o atleta que não tiver a “malícia” de se defender normalmente acaba sofrendo no meio do grupo de nadadores desgovernados.

 

 

 

Estes são casos somente dentro da água que podem influenciar a parcial da natação, mas o pior mesmo para o atleta que sofre na água é ter um abalo psicológico que afetará todo o restante da prova. Muitas vezes a transição de bike/corrida está bem trabalhada e funciona muito bem nos treinos, mas quando o atleta sai da água após uma má natação, toda a dinâmica da prova muda pois o seu nível de esforço no inicio do pedal será muito maior por conta do batimento acelerado.

O atleta pode tentar recuperar o tempo perdido forçando nos primeiros km da bike, ambas situações farão o corpo pagar o preço ao longo da prova. Além disso, o psicológico de “sofrer na água” pode abalar a auto estima do atleta e levar consigo uma sensação de que o desafio é maior do que ele se preparou.

 

Não achamos também que o foco da preparação de uma prova longa deve ser exclusivamente a natação, longe disso. Mas é importante destinar uma porcentagem maior do tempo e atenção aos treinos na piscina e principalmente os treinos em águas abertas.

 

Essa importância deve ser ainda maior para atletas que já tem uma certa facilidade no pedal ou na corrida por exemplo, mas que sofrem na água e podem melhorar em muito sua performance ao se tornarem mais confiantes na água.




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