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segunda-feira 18 dezembro 2017
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Análise de Tempos – Ironman 70.3 Alagoas

Com o fim do Ironman 70.3 Foz do Iguaçu, surgiu o 70.3 Alagoas, na cidade onde já existe a prova do circuito Challenge, também na distância meio ironman, portanto uma cidade já preparada para a grande estrutura necessária para uma prova de longa distância.

Como esta prova e o 70.3 Rio de Janeiro são relativamente próximas, e possuem o mesmo perfil de atletas,  vamos acabar focando bastante num comparativo entre ambas.

Em questão da quantidade de inscritos, o 70.3 Alagoas teve 844 atletas e é expressivamente menor do que o 70.3 RJ que contou com 1253 inscritos no total, porém ainda sim contou com mais participantes do que o Ironman Fortaleza de 2016 que teve aproximadamente 600 triatletas.

 

A proporção entre homens e mulheres se manteve na média das demais provas da franquia no brasil, com o número de praticamente 1 mulher a cada 7 homens.

A participação masculina em provas nos EUA e Europa ainda é de fato maior, mas a proporção já fica mais na casa de 1 mulher para cada 6 homens

 

 

Esta prova contou com uma maioria esmagadora de atletas na faixa entre 35-39 anos, e nenhuma atleta acima de 60 anos na categoria.

As provas no Brasil são famosas por terem tempos muito rápidos, mas infelizmente muito disso está ligado ao que todos nos já acompanhamos e sabemos que ocorre: falta de fair play. Nós realmente acreditamos que há pessoas honestas no esporte e que se preocupam em fazer sua prova de maneira justa, de acordo com as regras instituídas, mas nessa análise houve uma diferença de tempos muito grande, mesmo em relação à outras provas Ironman locais e internacionais.

Dessa forma, entendemos ou que havia medidas erradas nas distâncias, ou o vácuo estava liberado. Ou ambos. Ressaltamos que não estávamos presentes no dia da prova, e que nossa posição de indignação é com base nos tempos aqui encontrados X provas similares, nas fotos de muitos participantes em pelotões e nos tempos de provas anteriores de alguns participantes (sim, nós vamos caçar os rastros mesmo – assim como o site Marathon Investigation faz com as maratonas.

A média dos tempos gerais foi de 05h23, esta média é 26 minutos mais rápida do que o mesmo dado para o 70.3 RJ.

Como comparação, o Mundial do 70.3 de 2016 na Austrália, que contou com a elite dos profissionais e os melhores amadores classificados de todo o mundo teve média de tempos geral, de 05h12. Apenas 11 minutos de diferença.


Na média os homens nadaram para 02:00min/100m , pedalaram para 34,2 km/h (!!!) e correram para 05:50min/km.

As mulheres nadaram na média para 02:10min/100m , pedalaram para 31,3 km/h e correram para 06:15min/km

O gráfico de dispersão mostra como a quantidade de atletas nas faixas de tempo mais baixas foi bem frequente, e que mesmo com uma média de tempos rápida, alguns atletas já familiarizados com provas que foram pra “jogar o jogo” de fato fizeram tempos de até 30 minutos  mais rápidos do que seus tempos normais.

Sabemos que espote é dedicação e nada vem de maneira fácil, assim como a evolução, por isso buscamos o histórico dos atletas, já que a melhora absurda de performance é o primeiro indicador de que algo está errado.

O detalhe aqui vai para a média dos tempos masculinos, em que praticamente todas categorias  até 44 anos tiveram tempos médios abaixo de 05h30.


As melhores parciais sempre chamam atenção, mas já vimos em outras análises de tempos a natação e a corrida próximo do que encontramos aqui. Quanto ao pedal masculino, normalmente há casos muito fortes e isolados porém nesse caso houveram 13 parciais acima dos 40km/h.

No feminino vou utilizar 3 exemplos de profissionais:

A profissional Bia Neres pedalou este ano no 70.3  Palmas (relevo plano) para 2h20.

A profissional Luiza Cravo pedalou para 2h28 o concorrido 70.3 Miami (2016).

Heather Jackson é a atual 5a colocada no ranking profissional para Kona, e recentemente pedalou em 2h18 o rápido circuito do 70.3 Steelhead (trajeto tão rápido que no mesmo dia Andrew Starykowicz cravou 45,5kmh de média).

Dos melhores tempos de amadoras em Alagoas, 2 foram abaixo de 2h20 e 5 abaixo de 2h28. Muitos de nos olhamos sempre a previsão do tempo antes da prova buscando a informação da velocidade do vento, principalmente em provas na costa. O nordeste brasileiro é conhecido por ser um local com ventos fortes, por isso reconhecido mundialmente em esportes como windboard e kitesurf.

No dia da prova, próximo ao horário que a maioria dos atletas estava na bike, o vento era de 23km/h. O antigo Ironman Fortaleza, conhecido por ser uma prova difícil e muito próxima as condições de Kona pelo calor e pelo vento, registrou ventos de 29km/h. Concluindo que não seria um ciclismo fácil.

EDIT 1 – Apesar dos dados da velocidade do vento fornecidos pelo site AccuWeather no dia da prova, participantes e locais nos informaram que no dia havia ausência de vento na orla da praia onde aconteceu o ciclismo.

 

A transição foi com um tempo médio dentro do imaginado, já que a corrida da saída da água até a transição era um pouco mais distante.


Esta foi uma análise que demoramos para fazer pois estávamos nos perguntando se realmente valia apena analisar estes dados ou não, pois quando vimos logo após a prova as postagens com tempos muito fortes já sentimos que os números que iríamos apresentar aqui seriam distorcidos para os que planejam as próximas provas, ou querem ter um parâmetro de como está sua performance em relação aos demais atletas.

Claramente podem perceber que o tom da análise foi de um pouco de indignação e pedimos desculpas a todos os atletas honestos que treinam, se esforçam, e se orgulham dos tempos que conquistam independente de quais sejam, vocês estão de parabéns! Por outro lado lamentamos pela perfil de muitos atletas que deixam nossa fama de “brasileiro trapaceiro” marcado mundo a fora por aplicar o famoso “jeitinho” dentro e fora das provas.

Uma das foto entre várias do Ironman 70.3 Alagoas

Deixamos aqui para concluir, as regras de vácuo para provas de Ironman e a maioria das provas de triathlon com contra-relógio.

62. A zona de vácuo para os atletas (elite e faixa etária) é de 12 metros, medidos da borda da roda dianteira (do ciclista que segue à frente) em direção à parte traseira da bicicleta. Isso significa que os atletas devem manter uma distancia de 6 bicicletas entre eles e a bicicleta à frente. Os atletas terão 25 segundos para fazer a ultrapassagem. Se o atleta não obedecer a esta regra, ele/ela receberá um cartão azul e cumprirá uma parada de 5 minutos no Penalty Box mais próximo e assinará o termo. Cada atleta é responsável por sua parada no Penalty Box. 

63. A ultrapassagem define-se quando o atleta que ataca coloca a roda dianteira paralela com a roda traseira do atleta que estiver sendo ultrapassado. O atacado não poderá reagir até que a ultrapassagem seja feita e saia da zona de vácuo do atacador. Caso o ultrapassado não cumpra, receberá cartão amarelo

64. O atleta que fará a ultrapassagem não pode recuar da área de vácuo depois de ter adentrado. Uma vez que o atleta entre na zona de vácuo para a ultrapassagem de outro atleta, ele deve obrigatoriamente completá-la. Se a ultrapassagem não for concluída, o atleta receberá o cartão azul e cumprirá uma parada de 5 minutos no Penalty Box mais próximo e assinará o termo. Cada atleta é responsável por sua parada no Penalty Box. 

Veja o regulamento completo aqui.

 

*Todos os dados foram retirados do site oficial da prova, disponíveis para todo o público.
** A imagem de cara foi retirada do vídeo oficial de divulgação da prova.



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