Search
segunda-feira 18 dezembro 2017
  • :
  • :

Review: Prova TriRex  

Uma prova para quem “faz” e não para quem “fala”

 

Sempre que nos inscrevemos em provas, temos algumas dúvidas se seremos capazes de completar o desafio, seja ela em uma única modalidade, ou no triathlon. Após uma longa e preguiçosa pausa depois do meu primeiro 70.3 (Steelhead – Michigan), voltamos a treinar e recomeçar levemente a planilha de treinos para finalizar o ano. Nossos planos eram algumas provas de travessia aquática e talvez alguma de 10km de corrida para manter o motor girando.

 

Foi quando descobrimos o TriRex em Brotas (interior de São Paulo). O evento é realizado em dois dias de provas para todos os gostos, corridas de até 30km, maratona aquática, duathlon, corrida infantil, revezamento, triathlon olímpico e longa distância. Não estava convencida a participar, estava treinando muito leve e se eu viesse a fazer a prova seria a de longa distância, com 3000m de natação, 50km de bike e 20km de corrida. Mas o troféu me convenceu, não precisei pensar mais antes de topar o desafio depois de descobrir que o troféu era um Tiranossauro Rex.

 

Tivemos cerca de 6 semanas de preparação após a decisão de realizar a prova, aumentei meu volume de natação, já que a natação era maior que a do 70.3. Iniciei um novo ciclo de treinos com muita ladeira na bike. Na corrida fui surpreendida por uma lesão, que ainda estou tentando descobrir o que é e onde é, por tanto tive algo em torno de 4 treinos de corrida antes da prova, sendo um deles a Meia Maratona de Revezamento do Pão de Açúcar.
Devido ao mal tempo em São Paulo no final de semana que antecedeu a prova, decidimos em levar o simulado final para o local da prova, e fomos para Brotas, subindo as mesmas subidas da bike, da corrida e nadando no local da natação. De fato é uma ótima oportunidade, variar o local do treino, e ainda poder ser onde será a prova, foi crucial (confira aqui o relato deste treino).

Por ser uma prova de porte menor e com menos participantes, estava sem expectativas em relação a organização, já que provas grandes e renomadas como o Internacional de Santos tem uma das piores organizações que eu já vi.
Pelo contrário, fomos surpreendidos pela organização impecável. No sábado, as provas de menor duração aconteceram, como a travessia de 1000m e 3000m, corrida de 10km, 20km ou 30km, duathlon e kids. Três stands foram montados com roupas, suplementos e equipamentos (E porta-números!! Eu tenho um sério problema em me lembrar de colocar na mala).

Dois food trucks foram posicionados ao lado da largada e transição, suporte mecânico para os últimos ajustes nas bikes e uma ampla área arborizada para quem acompanhava a prova ou esperava sua largada.

A prova acontece no Distrito de São Sebastião da Serra, cerca de 20km de Brotas. Estrada tranquila, motoristas acostumados com o fluxo de bikes respeitam nosso espaço e passam longe, até mesmo os caminhões gigantescos carregados de cana-de-açúcar aguardam e acompanham nosso sofrimento enquanto subimos uma das inúmeras ladeiras (durante a prova o trânsito é parcialmente bloqueado). A cidade é bem interior, com uma praça e cerca de quatro ruas que cruzam outras quatro ruas a beira de um lago, com pouquíssima correnteza, onde acontece a natação. O local onde toda a estrutura é armada fica dentro de um clube da cidade, com dezenas de churrasqueiras, bancos e mesas. Muito mais estrutura para quem acompanha o competidor.

O nível técnico da prova de triathlon de longa distância é alto. Já que a maioria dos triatletas “comuns” foge de ladeiras íngremes e natação com distância longa. Eram apenas 35 pessoas competindo na prova de longa distância.
A natação consistiu em duas voltas em formato de triângulo de 1500m, como a água estava baixa a natação deu um pouco menos, 2400m, e próximo a primeira boia a água era tão baixa que você consegue caminhar com água no joelho por 50m.

Na T1, treine montar na bike com a sapatilha presa no pedal, você percorre cerca de 50m na grama antes de chegar no asfalto, e correr já com a sapatilha atrapalha muito!

Vale reconhecer o terreno antes, saber onde jogar a bike nas decidas, desviar de alguns poucos defeitos que o asfalto do circuito tem e já saber qual marcha colocar antes de determinada subida. São quatro voltas de 12,4km (vai 6,2, volta 6,2), minha máxima de velocidade foi 79km/h e do Mauricio 79,9km/h (quase!). Aviso: são decidas extremamente técnicas, porém com curvas não tão acentuadas, se você está acostumado com decidas de serra, essas serão fáceis, mas sempre mantenha atenção pois qualquer erro pode gerar um GRANDE estrago.

O ganho de elevação da bike é de 1200m e da corrida entorno de 300m. Olhando abaixo o print marcado por um Garmin 920XT podemos ver como são subidas e descidas seguidas.

Altimetria do trajeto da bike (1200m em 50km)
Altimetria do trajeto da corrida (300m em 20km)

Na T2, segure a emoção, lembre-se que o triathlon mais curto largou junto com você, portanto vão haver muitas bikes descansando lá e parecerá que você foi uma lesma, mas na verdade deu uma volta a mais que os outros.

A corrida tem muitas ladeiras, é quente, porém com sombra e a cada 1km tem postos de hidratação, o que faz toda a diferença! São duas voltas de 10km (vai 5km, volta 5km), em cada retorno você tem estações de hidratação com Coca-Cola, Garotade, bolachinhas e o apoio dos staffs. Durante todo o percurso o transito é controlado por policiais e staffs da prova em motos. É um trajeto solitário, não tem aquela muvuca da maioria das corridas, poucas pessoas fazem o longo e conforme elas terminam cada vez menos pessoas você vê, e todos os acompanhantes ficam dentro do clube, esperando a chegada.

Além de ser uma prova muito técnica, é também uma prova muito mental. Treinei em serra antes do meu 70.3, então mesmo com o curto período de tempo para me preparar para essa prova, não estava fora de forma, mas a preparação é necessária.

As melhores médias de velocidade na bike são na casa de 27km/h, de atletas que fazem sub-5 em 70.3. Minha média ficou na casa de 23,5 km/h. Saiba como checar seus freios e seu câmbio antes da prova, você precisará deles o tempo todo. A hidratação e alimentação durante a bike te garantirá chegar ao final da corrida.
Lembre-se sempre que o triathlon é uma prova onde ser consistente em tudo vale mais do que ser muito bom em uma coisa, e quebrar na modalidade seguinte. A prova é ótima, bem organizada, o valor é justo, a cidade vale a pena a visita por ser um polo de ecoturismo. No kit da prova você encontra descontos em outras provas, em passeios turísticos na região, uma mochila ótima, camiseta e meia de boa qualidade e a medalha e o troféu são incríveis. A cidade de Brotas dá total apoio a prova, por ela acontecer no período de baixa no primeiro e no segundo semestre, sendo uma importante fonte de renda da região.

Para quem compete, também fica minha admiração. Não há pessoas marrentas, não tem os valentes que vemos em toda prova de triathlon, vi apenas amigos, pessoas que compartilham de uma paixão e que são iguais perante a prova.

Humildade descreve os atletas, dedicação descreve a organização e desafio descreve a prova.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *