Search
segunda-feira 18 dezembro 2017
  • :
  • :

Review: Triathlon Internacional de Santos 2017, a prova que perdeu o brilho

Uma sequência de falhas está afastando os competidores

 

No último domingo aconteceu uma das provas de distância olímpica mais tradicional do triathlon brasileiro, o Internacional de Santos em sua 26º edição, que conta com 1500m de natação, 40km de ciclismo e 10km de corrida.

 

Olhando o startlist da prova e posteriormente o pódio, podemos ver grandes nomes do triathlon brasileiro como os ganhadores, Bia Neres e Flávio Queiroga, além de outros competidores como Ariane Monticeli, Pâmella Oliveira, Luiza Cravo, Luiza Baptista, Marcus Fernandes, Reinaldo Colucci, Manoel Messias e Luiz Ferreira, o Chicão, entre outros grandes atletas.

Em 2015, a 24º edição da prova foi prestigiada também por nomes internacionais como Craig Alexander, Tim Don e Rachel Joyce, mostrando que essa prova tem uma grande visibilidade no cenário internacional do esporte.

 

Porém, nos últimos anos, os problemas que a organização da prova vem enfrentando somado com os altos valores da inscrição (R$740,00) tiraram o brilho desta etapa, fazendo com que muitos atletas que antes tinham essa prova como abertura do calendário do ano, deixassem de realizá-la. Este ano a prova contava com cerca de 500 atletas, uma quantidade relativamente baixa para uma prova tradicional como essa.

O percurso passado pela organização contava com 1 volta de 1500m para os atletas amadores e 2 voltas de 750m para os atletas profissionais. Com largada e chegada em locais diferentes e problemas na metragem das distâncias.

 

 

A natação nessa prova é um problema recorrente, em 2014, o mar agitado e a demora na tomada de decisão da organização da prova, prejudicou muitos atletas. A NA Sports decidiu por adiar uma hora todas as largadas devido a forte arrebentação, o Corpo de Bombeiros naquele ano relatou que havia avisado sobre o perigo da natação.

 

Nesse caso, o que consta no regulamento é que a prova deveria virar duathlon – 10km de corrida, 40km de ciclismo, 5km de corrida – porém, a decisão de seguir adiante desencadeou uma sucessão de fatos:  Nem todos os atletas puderam nadar, iniciando a prova na bike; atletas femininas foram seguradas na T1 para não pedalar, atrapalhando a saída da T1 e a entrada da T2.

 

Ao final da prova a insatisfação era geral, com a falta de organização para contingência de problemas e comunicação com os atletas. Após esse evento, o relato de muitos atletas é que não voltariam mais para essa prova.

Esse ano, além da marcação da distância da natação estar menor, a distância da bike e da corrida também apresentavam distâncias menores. Num olímpico com trajeto mais rápido como é o caso do Internacional de Santos, essa diferença de distância influência muito no resultado final da prova.

 

 

O percurso da bike passa pela Rodovia Anchieta, com asfalto de boa qualidade e plano, tornando o percurso agradável e rápido, porém, foi nesse local que aconteceu o acidente e assalto ao atleta profissional Edivânio Monteiro. O atleta do SESI foi abordado e derrubado de sua bicicleta por um assaltante armado, que segundo relatos, saiu pedalando tranquilamente o equipamento sem nenhuma resposta do policiamento que estava a menos de 600m do local . Chocando e assustando os competidores.

 

A corrida acontece na orla, do final da praia de Santos até o Canal 6, com as altas temperaturas na prova, a brisa do mar aliviava o calor intenso.

 

Falamos com Paula Ponte, 2º colocada no Ironman Fortaleza 2016 e estreante na distância Olímpica. Em seu relato ela deixa explicito como a organização deixou a desejar em quesitos importantes:

“Não vou aqui bater de novo na tecla do velho problema do vácuo, que é a única regra sem exceção nas provas no Brasil, e que como sempre, se fez presente sem que os vaqueiros fossem penalizados. É a famosa lei de levar vantagem seja a que preço for… E como já dizia Lin Yutang: “A paz da consciência é o maior de todos os dons.”.”

Paula aponta problemas desde o primeiro momento, na inscrição e entrega dos kits:

“ O problema está em chegar lá e ver que seu nome não consta na lista porque provavelmente o sistema é falho e não computou seu nome – como aconteceu com muitos atletas. Está em pagar R$740,00 e não ter o mínimo, que é a segurança pra fazer o que estamos ali pra fazer. Está em se preparar pra uma prova com distância olímpica e competir naquilo que não é nem um Sprint nem um Olímpico. Está em treinar, ficar em forma e errar caminho – como aconteceu com amadores e profissionais – porque não tinha staff suficiente ou os policiais não estavam conseguindo administrar o trânsito de carros e bicicletas da forma adequada.

Alguns atletas, ao buscarem o kit, foram informados que o nome não constava na lista de inscritos. Diante disso seria necessário que o atleta entrasse no próprio e-mail e encaminhasse a confirmação da inscrição para o e-mail da organização da prova. Depois de confirmado o equívoco da organização, seria necessário preencher uma nova ficha de inscrição e aguardar o tempo que fosse necessário pra que os funcionários montassem um novo kit. No meu caso, tive que esperar meia hora e, ao fim, ainda escreveram meu nome errado”

Além dos problemas na inscrição e kits, a atleta nos contou como foi a prova aos olhos de quem estava competindo:

“No dia da prova, aconteceu o que é mais preocupante de toda a desorganização: Um atleta profissional – Edivânio Monteiro – foi derrubado e teve sua bicicleta roubada por assaltantes em plena prova. Se isso acontece com os profissionais, que são os que detêm maior atenção de público e staff e correm sempre na frente durante as provas, pode-se imaginar o risco que corre o atleta que não está lá pra testar sua performance, que faz a prova lá atrás, pensando apenas em conseguir completar a distância (o que já é um grande feito), sem a atenção que tantos outros recebem. O que eu pude ver em Santos foi meia dúzia de policiais na Anchieta, conversando ao lado de uma viatura. Enquanto alguns outros, que estavam mais próximos do centro da cidade, conseguiram confundir os atletas os fazendo errar caminho. Claramente faltou treinamento pra essas pessoas.”

Chocada e insatisfeita com os erros, Paula citou corridas de rua, que em muitos casos erram a distância da corrida, e que nessa prova, o mesmo aconteceu nas três modalidades:

“Os organizadores de uma prova de triathlon, por outro lado, têm 3 chances. Existe uma distância pra natação, uma distância pra bike e uma pra corrida. A organização do Triathlon Internacional de Santos conseguiu errar as 3 distâncias. A natação tinha 1100 metros (400 metros a menos do que o esperado, ou seja, uma redução de mais de 25% do percurso), a bike tinha aproximadamente 2 quilômetros a menos, e a corrida, que era pra ter 10km de extensão, só teve 9,6km. Em uma prova curta como o olímpico, essas reduções de percurso, definitivamente, fazem muita diferença.

Enfim, o que mais valeu nessa prova foram as companhias, os amigos que assistiam, e o clima que o esporte nos proporcionou em Santos no domingo da prova. Agora entendo o por quê da diminuição na quantidade de competidores na prova, mas jamais entenderei o motivo do preço que é cobrado. Ainda bem que a concorrência nesse setor de organizadores de provas está crescendo pra dar novos ares pro nosso esporte no Brasil e aumentar a qualidade do serviço prestado. Amém!”

Agradecemos a clareza e sinceridade da atleta cearense que nos deu a perspectiva de quem estava competindo.

Fora todos os problemas durante a prova, infelizmente erros nas marcações de tempos com os chips também são frequentes, e gera erros como por exemplo tempos de amadores mais rápidos do que o vencedor da prova, médias de velocidade na casa de 60km/h e muitas outras médias fora do comum.

De qualquer forma faremos uma análise bem resumida dos tempos dos amadores para que os atletas tenham um parâmetro de como foram em relação aos demais, porém lembrando que as medidas da prova não foram 1500m/40km /10km e por isso não entraremos no detalhe das médias por etapa como realizadas para as provas de IM Fortaleza, 70.3 RJ e 70.3 Pucón.

 

 

 

Por conta da distância e do trajeto fácil, a quantidade de desistências entre os amadores foi bem baixa. É possível notar que o número de inscritos total é bem inferior a de anos anteriores

 

 

 

 

 

Já a proporção entre homens e mulheres permanece similar à provas de distâncias mais longas

 

 

 

 

A prova apresenta grande concentração de participantes masculinos na casa de 30 a 45 como se é esperado, conta também com uma grande quantidade de atletas abaixo de 20 anos e militares. No caso das mulheres a grande concentração está entre 30 e 39 anos.

 

A média dos tempos gerais foi de 02h23 minutos e possui uma distribuição de tempos similiar entre as faixas de 2h00-2h20 e 2h2 -2h40. A quantidade de tempos abaixo de 2h00 também surpreende, lembrando que as distâncias da prova estavam menores do que deveriam.

 

 

No caso dos homens, a proporcionalidade permanece entre as faixas de 2h00-2h20 e 2h20 -2h40, e inclui todos os tempos de amadores abaixo de 2h00

Os tempos médios por etapas dos homens foram: 20min/1h11/50min, totalizando um tempo médio total de 2h21.

 

 

 

 

 

 

No caso das mulheres, a faixa com maior quantidade de participantes é a 2h20 -2h40, e reduz o número de finishers acima de 3h para apenas 1 atleta

Os tempos médios por etapas das mulheres foram: 23min/1h16/50min, totalizando um tempo médio total de 2h29.

A diferença nos tempos entre homens e mulheres foram justificados pela natação e ciclismo um pouco mais fortes, porém com mesmo peso para ambas modalidades

 

 

 

 

Esperamos que a organização ouça os apelos dos atletas e se organize para as próximas etapas, assim o esporte crescerá prospero no país, com cada vez mais adeptos do triathlon fazendo parte desse mundo.

 

Fotos da matéria: João Pires e Rita Oliveira



9 thoughts on “Review: Triathlon Internacional de Santos 2017, a prova que perdeu o brilho

  1. Silvio marques

    Vamos levar em conta que faltou isenção na edição dá matéria.
    Primeiro, porque a opção de o atleta fazer sua inscrição de última hora e pagar o valor de 740 reais é dele.
    O valor inicial foi 640 reais.
    Segundo, o jornalista escreve “segundo relatos”. Relatos de quem?
    Isso é jornalismo pequeno, especulativo e não investigativo.
    Terceiro, procuraram o atleta para saber o seu depoimento sobre o assalto?
    Quarto, pega o depoimento de uma atleta e cita o Ironman como se as provas do Galvão fossem exemplo de lisura em relação ao vacuo e no universo de quase 500 atletas pública apenas o de um insatisfeito.
    Quinto, eu vi MUITO atleta feliz por ter nadador bem menos no mar. Não foram poucos não.
    O triathlon tem problemas, as provas tem problemas, pré usam ser criticadas para melhorarem, mas ninguém que daz algo por 26 anos ininterruptamente é ruim.
    Critiquem sem quererem o mal de alguém, que reflete no próprio triathlon
    As provas de outros organizadores estão com preços equivalentes, o que por si só descontroi o citado.

    Saudações
    Silvio Marques
    União dos Triatletas da Baixada Santista

    responder
    1. Espaço Tri Mensagem autor

      Bom dia Silvio,

      Nos do Espaço Tri estamos sempre dispostos a ouvir à todos, atletas, treinadores e organizadores. O relato da prova foi íntegro e verdadeiro, em especial porque tivemos o relato de uma atleta que participou e nos mostrou sua insatisfação. Somos atletas também, e já participamos da prova no passado e também ficamos decepcionados, dessa forma estamos em nosso direito e dever em dizer a verdade sobre tudo que aconteceu nos últimos anos com esse circuito que já foi tão importante para o país.
      Os fatos e dados, como a queda no número de inscritos e a dificuldade na comunicação com a organização, mostra que é necessário uma maior atenção com os participantes. De forma alguma queremos prejudicar o cenário do triathlon no Brasil, que hoje é de crescimento, mas como é um esporte relativamente novo, críticas são necessárias para que correções sejam feitas.

      Os atletas querem ser ouvidos.

      Abs,
      Espaço Tri

      responder
  2. Albor Vives Renones

    Excelente matéria, descreveu exatamente o que aconteceu e como nós nos sentimos. fiz 5 vezes a prova e esta é definitivamente a última vez. Uma pena, mas às vezes o organizador perde a noção de que tudo aquilo é para funcionar para o atleta e não para gerar lucros, outras provas estão aparecendo e a competição entre organizadores é muito saudável para o mercado e favorável para os atletas!

    responder
    1. Espaço Tri Mensagem autor

      Bom dia Albor! Ficamos feliz que tenha se sentido representado como atleta pela matéria! Sim, a competição entre organizações é de grande importancia para assim sempre buscarem melhorar! Esperamos que essas novas provas que vem surgindo sejam de ótima qualidade!

      Abs,
      Espaço Tri

      responder
  3. Silvio Marques

    A bike já foi localizada. A organização PAGA a Polícia Rodoviária e a Militar para fazerem a segurança do percurso. Era questão de honra por aqui essa bike ser localizada.
    E foi.

    ABS.

    responder
  4. Rafael

    Fiz o troféu brasil em dez/2016 (mesmo organizador)

    -Faltou água logo no começo da prova! Um absurdo! Nunca mais faço provas que a NA organiza!

    -Minha esposa disse que um profissional caiu e demorou bastante pra chegar a ambulância!

    -A entrada pra t2 do troféu brasil é extremamente perigosa e mal sinalizada.

    -Bike checkout foi cada um por si, não tinha fiscalização. Pelo menos pra mim não teve!

    responder
    1. Espaço Tri Mensagem autor

      Rafael, nós já fizemos o Troféu Brasil também e concordamos com o que você disse, a organização é muito ruim. Em uma das ocasições eu estava começando no Triathlon, e tive um acidente com a bike no meio do percurso que me fez abandonar a prova, porém como a organização não ajudou em nada, eu tive que voltar andando uma boa distância todo ralado e empurrando a bike =/

      responder
  5. Frank

    Wayy cool! Soome very valiid points! I appreciatfe youu pennijng
    thnis plst aand tthe rrst oof thhe sitfe iss also vety good.
    I couldn’t resist commenting. Exceptionaly welkl written!
    It iss thee beset tjme too mak ome plas forr the futrure and it iis tme
    tto bbe happy. I’ve readd thhis post aand iif I cpuld I wixh tto sugges yyou some interesting thgings orr advice.
    Maybe youu ciuld wreite next articles referding
    too tthis article. I wish tto read evdn more
    things anout it! http://cspan.org

    responder
  6. borvestinkral

    Thank you for any other magnificent post. Where else may anyone get that type of info in such an ideal method of writing? I have a presentation subsequent week, and I am on the look for such information.

    responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *